Plano de classificação

Tipo de entidade:Pessoa colectivaOrdem dos Frades Menores. Convento de São Francisco de Xabregas. 1455-1834Outras formas do nome:Convento de Santa Maria de JesusConvento de Santa Maria de Jesus de XabregasConvento de Santa Maria de Jesus de MenoresConvento de Nossa Senhora de Jesus de XabregasConvento de XabregasData(s):1455 (Afonso V doa os terrenos para a construção do convento)1455 (início da construção)1460 (entrega do convento aos Frades Menores de Observância da Ordem de São Francisco)1497 (obras de ampliação do convento)1532 (sede da província dos Algarves)1552 (o convento tem 55 frades e 4 servidores)1620 (comunidade é constituída por 90 religiosos)1755 (derrocada do edifício)1758 (comunidade constituída por 144 religiosos)1766 (início da reconstrução do edifício)1771 (cerimónias da benção da nova igreja)1834 (extinção das ordens religiosas e alteração da utilização do edifício)1839 (decretada a criação de uma "Casa de correcção, e trabalhos, ou Penitenciaria" em parte do antigo edifício conventual"1845 (a Companhia do Tabaco, Sabão e Pólvora de Lisboa instala-se no edifício do antigo Convento de Xabregas)1865 (a Companhia da Fábrica do Tabaco adquire ao Estado o edifício do antigo convento, as máquinas e os utensílios)História:O Convento de São Francisco de Xabregas, também conhecido por Convento de Santa Maria de Jesus ou Convento de Santa Maria de Jesus de Xabregas, consiste num edifício de cariz monástico e conventual, com igreja, situado na rua de Xabregas, 50-58, na zona oriental de Lisboa. O convento foi fundado por D. Guiomar de Castro, condessa de Atouguia, viúva do 1.º conde de Atouguia, Álvaro Gonçalves de Ataíde, em terrenos doados por D. Afonso V, pelo alvará régio de 17 de outubro de 1455, com o objetivo de edificar um convento num local, "Enxobregas", que era, à época, fora dos muros da cidade. Este edifício pertenceu à Casa de Atouguia até ao advento do terramoto de 1755 passando, posteriormente, para a Coroa, conforme referido pelo pároco Luís da Costa de Barbuda, nas suas memórias paroquiais, em 22 de julho de 1758. A construção do convento ocorreu entre 1455 e 1460, como um edifício pequeno, que iria albergar nove frades da Ordem dos Frades Menores da Observância de São Francisco, vindos da ilha da Madeira. A chegada destes frades a Lisboa ocorreu em 1459, por solicitação de D. Afonso V, num processo intermediado pelo padre frei Rodrigo da Arruda, Vigário Provincial da Observância, tendo tomado posse do convento em 1460, sendo o décimo nono convento da Observância a surgir em Portugal, sob a invocação de Santa Maria de Jesus. Os frades viviam, sobretudo, de esmolas que recolhiam pela cidade, às quartas-feiras e domingos, de ofertórios das missas, bem como de doações de particulares e da Coroa. Uma das suas missões era o acolhimento de pobres e de peregrinos, que solicitavam hospedagem no convento. Em 1517, a ordem dividiu-se em duas: a Ordem dos Frades Menores da Regular Observância e a Ordem dos Frades Menores Conventuais. O mesmo aconteceu à Província de Portugal dos Observantes, que também se dividiu em duas: a Província de Portugal, que agregava os conventos a norte do Tejo, e a Província dos Algarves, ou Xabreganos, assim designada porque o Convento de São Francisco de Xabregas era a sede da província e abrangia os restantes conventos. A partir de 1532, o convento pertenceu à Ordem Seráfica de São Francisco de Assis, da Província Independente dos Algarves, beneficiando de proteção real, primeiro da rainha D. Leonor e depois de D. João III e de sua mulher, D. Catarina, que procuravam conforto espiritual junto dos frades, nos momentos mais dolorosos das suas vidas, assistindo também a missas. O dinamismo da ordem franciscana levou a um aumento significativo da comunidade conventual, bem como de fiéis leigos, obrigando a obras de ampliação do convento. De facto, desde a sua fundação, o edifício sofreu sucessivas intervenções, havendo notícias de que o convento albergava cinquenta frades e trinta e cinco padres, em 1551, e noventa frades, em 1620. O terramoto de 1755 destruiu o convento, quase na sua totalidade, obrigando os seus residentes a viverem em barracas de madeira temporárias e a improvisarem a igreja num celeiro, dentro da cerca conventual. A reconstrução ocorreu a partir de 1766, sob a égide do Marquês de Pombal. No final da guerra civil (1828-1834), D. Pedro IV decidiu extinguir os conventos e as ordens religiosas nos Açores, em 1832, e em todo o reino e ultramar, em 1834. O ministro da Justiça, Joaquim António de Aguiar preparou o decreto de 30 de maio de 1834, que extinguiu os conventos, mosteiros e todas as ordens religiosas masculinas, tendo os bens destas casas religiosas sido nacionalizados e incorporados na Fazenda Nacional. Como consequência da expulsão das ordens religiosas, o convento acolheu o Regimento de Infantaria n.º 1 e o Batalhão Naval de Artífices Engenheiros, assim como algumas famílias dos oficiais. Em 1839, a Companhia de Fiação de Tecidos Lisbonenses ocupou o convento até ao incêndio que, em 1842, destruiu uma parte do edifício. A partir de 1845, foi instalada a Companhia de Tabacos Lisbonense, sendo posteriormente, em 1891, designada Companhia de Tabacos de Portugal. No período de 1929 a 1932, o convento foi transformado em unidade industrial, e entre 1939-1940, sofreu obras de consolidação e melhoramentos dos muros de suporte. Em 1945, foi ampliado o refeitório, a par de uma construção no interior do claustro, e, em 1950, iniciou-se a remodelação da instalação elétrica, juntamente com mais obras gerais de manutenção. Na década de 1980, realizaram-se obras de beneficiação exterior no edifício, tendo-se instalado o Teatro Ibérico, em 1981, e a mediateca de formação profissional, do Instituto do Emprego e Formação Profissional, em 1988. Em 1990, foram efetuadas obras para a instalação de serviços adicionais, como o refeitório e a cafetaria, entre outros, mantendo-se atualmente como teatro e mediateca.Lugares:LisboaFunções, ocupações e actividades:Ordem religiosa e assistencialMandatos/fontes de autoridade:Alvará régio de 17 de outubro de 1455 - D. Afonso V doa os terrenos para construção do convento.Decreto de 30 de Maio de 1834 - extingue todos os conventos, colégios, mosteiros, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas.Identificador(es) da instituição:PT/AMLSBRegras e/ou convenções:ISAAR (CPF) - Norma Internacional de Registo de Autoridade Arquivística para Pessoas Coletivas, Pessoas Singulares e Famílias: adotada pelo Comité de Normas de Descrição, Camberra: Australia, 27-30 de outubro de 2003. Conselho Internacional de Arquivos.ODA - Orientações para a Descrição Arquivística: Grupo de Trabalho de Normalização da Descrição em Arquivo. Lisboa: Direção Geral de Arquivos, 2011.NP 405-1:1994 - Informação e Documentação. Referências bibliográficas: documentos impressos: Comissão Técnica 7. Lisboa: Instituto Português da Qualidade, 1994.Línguas e escritas:PortuguêsFontes:ASSEMBLEIA DISTRITAL DE LISBOA - Monumentos e edifícios notáveis do distrito de Lisboa. Lisboa: Livros Horizonte, 2007. pp. 125-127.BELÉM, Fr. Jerónimo de - A crónica seráfica da santa provincia dos Algarves [Em linha]. Lisboa: Mosteiro de S. Vicente de Fora, 1750. [Consult. 2016-05-09]. Disponível em WWW: URL: https://play.google.com/store/books/details?idFERREIRA, Sílvia Maria Cabrita Nogueira Amaral da Silva - A talha barroca de Lisboa (1670-1720): os artistas e as obras. Lisboa: Faculdade de Letras, 2009. Dissertação de doutoramento em História da Arte. 3 vols.OLIVEIRA, Cristovão Rodrigues de - Lisboa em 1551. Lisboa: Livros Horizonte, 1987.PROJETO APRENDER MADEIRA - Ordens e congregações religiosas [Em linha]. [Consult. 2016-05-23]. Disponível em WWW: URL: http://aprenderamadeira.net/ordens-e-congregacoes-religiosas SUCENA, Eduardo - Santa Maria de Jesus (Convento de). In SANTANA, Francisco, dir. - Dicionário da História de Lisboa. Lisboa. Carlos Quintas & Associados, 1994, pp. 846-847.TEIXEIRA, Vitor Gomes - Frei João da Póvoa e o movimento da observância franciscana entre 1447-1517 [Em linha]. [Consult. 2016-05-17]. Disponível em WWW: URL: http://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/4508/1/LS_S2_17_VitorGTeixeira.pdf